Por indicação da Mia, comecei a ler O retrato de Dorian Gray, depois de ter me afastado durante muito tempo dos ditos clássicos. Acho que meus motivos têm a ver com o fato de que a faculdade fez com que eu odiasse esse tal de cânone, que me obrigava a gostar de obras cuja dimensão eu ainda não podia entender, ou seja, não tinha como ter qualquer opinião. No entanto, a propaganda boa da Mia fez com que eu repensasse essa ideia de que estava fadada a detestar clássicos. O resultado é: eu estou adorando demais esse livro, não consigo parar de ler.
A cada página, sinto que esse livro precisava de uma certa maturidade da minha parte para que eu pudesse apreciá-lo. Essa não é apenas a história de um homem cujo retrato envelhecia e ele não. Na verdade, o negócio é sobre beleza, sobre envelhecer, as coisas efêmeras da vida, sabe? Eu não sou especialista em literatura, mas minha impressão é de que Oscar Wilde está jogando na tua cara o quanto, já naquela época, as pessoas eram preocupadas com a beleza do mundo e não em envelhecer. Não envelhecer valia a arrogância de Dorian, valia sua postura de "joga fora no lixo" a cada vez que uma coisa perdia a graça, porque a vida é uma eterna reinvenção de coisas bonitas.