A vida descarrilhou. Eu gosto desse verbo, porque ele descreve muito bem o que houve comigo. O trem perdeu o controle desde meu último encontro com Nathalia Timberg e, desde então, eu tento recuperar um suposto controle da minha vida. Quando falo em controle, não estou falando exatamente sobre minhas emoções, essas têm andado até que na linha, digamos assim. Estou falando do controle sobre meu trabalho, minha produtividade, minhas horas em frente ao computador.
Trabalho em casa e sou tradutora. Se minha vida profissional tivesse um título, seria A mulher que não sabia a hora de parar. Antes mesmo de encontrar Nathalia, eu já tinha trabalhado muito, virando noites e perdendo finais de semana, para poder folgar sem me sentir culpada. Depois do encontro, eu não descansei e cá estou descarrilhada, me metendo em furadas porque não sei dizer não da maneira devida, porque o pânico de ser autônoma sempre me persegue.
